Salvador merece o AFROPUNK Brasil!

Nos dias 08 e 09 de novembro de 2025, Salvador recebeu a 5ª edição do AFROPUNK Brasil. Mais de 50 mil pessoas passaram pelo evento, que reuniu 19 atrações em dois dias, entre elas as cantoras internacionais Coco Jones (EUA) e Tems (Nigéria).

Acontece que a capital baiana não costuma receber eventos desse porte, o que eu acho completamente injusto. Salvador foi a primeira capital do Brasil, é reconhecida pela UNESCO como Cidade da Música, é turística, vibrante e cheia de potencial. Ainda assim, o máximo que costuma acontecer é a passagem de algumas turnês de artistas nacionais. 

A discussão sobre a ausência de grandes shows internacionais por aqui é antiga. De acordo com o Bahia Notícias faltam espaços, a logística é complicada e os custos são altos.

Durante 15 anos, o Festival de Verão Salvador foi o grande evento da cidade. Nascido em 1999, o FV costumava acontecer por 4 dias no Parque de Exposições e contava com uma programação extensa e multigênero. Akon, Alanis Morissette, Kesha e Ne-Yo foram algumas das atrações internacionais que já subiram ao palco.

Em 2016, o Festival de Verão passou a acontecer em apenas dois dias e foi para a Arena Fonte Nova. Em 2023, voltou a ser no Parque de Exposições, mas com um line-up pouco ousado e com nomes que já costumam passar por Salvador. Desde então, CeeLo Green foi a única atração internacional a participar do festival.

Liniker se apresentando no palco do AFROPUNK Brasil 2025 em Salvador. Foto: Luan Teles / @vulgotlls.

A chegada do AFROPUNK em Salvador

Foi em 2021 que o AFROPUNK Brasil desembarcou na capital baiana. Em apenas cinco anos, o maior festival de cultura preta do mundo se consolidou como um dos principais eventos do país e um dos poucos que colocam Salvador no mapa dos grandes festivais.

Neste ano, o AFROPUNK recebeu 40% do público vindo de fora da Bahia, além de estrangeiros de 25 países. Ano passado, o festival gerou mais de 50 milhões de reais apenas na cidade de Salvador. Este ano, a expectativa era de um impacto ainda maior.

Pelo terceiro ano consecutivo, temos fãs vindo de todos os estados do Brasil, além de um grande número de pessoas vindo dos Estados Unidos, Reino Unido, Colômbia, França e outros. O impacto econômico na cidade é enorme gerando crescimento, majoritariamente, para empreendodores negros da Bahia”, afirma Potyra Lavor, CEO da IDW Company.

Como mulher negra e soteropolitana, apaixonada por música e grandes eventos, fico feliz em ver um festival como o AFROPUNK escolher Salvador, a cidade mais negra fora da África, como sede principal.

Não acho que isso vá mudar. 

Salvador merece o AFROPUNK

Laura Araújo

Jornalista musical, soteropolitana e apaixonada por escrever sobre cultura. Sempre de fones ouvindo música ou bons podcasts, gosto de traduzir cultura, música, shows e festivais em textos. No Mapa dos Festivais, encontro o equilíbrio perfeito entre jornalismo, criatividade e a paixão por explorar tudo o que movimenta a cena musical brasileira.

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