Criar um festival não é apenas sobre montar um palco e chamar grandes nomes da música. Envolve estrutura, planejamento e, principalmente, uma curadoria de experiências que transformam um evento em algo inesquecível. À frente de alguns dos maiores festivais do Rio de Janeiro, Peck Mecenas é um dos nomes mais influentes desse mercado.
Fundador da PECK, produtora responsável por eventos como o Festival de Inverno Rio, o Clássicos do Brasil e o 90’s Festival, ele tem um olhar apurado sobre a evolução dos festivais e a necessidade de ir além do line up para criar algo memorável.
Conversamos com ele sobre sua trajetória, os desafios de produzir grandes eventos e sua visão sobre o futuro dos festivais no Brasil.
Da produção no colégio a grandes shows
Desde criança, Peck já sabia que queria trabalhar com música. “Desde 82, aos 7 anos, quando surgiu a explosão do rock brasileiro, sempre quis estar por perto deles e percebi que produzindo shows seria um bom caminho.”
Ainda na escola, aos 15 anos, Peck já produzia os famosos saraus do Colégio São Bento, onde conheceu Careca, iluminador da banda Barão Vermelho. Foi assim que se tornou assistente de produção da banda: “Eu fui realmente “adotado” pela Barão Vermelho e aprendi muito não só sobre produção, mas sobre lealdade, respeito e amizade.”
Desde então, passou pelo icônico Circo Voador e trabalhou na Fundição Progresso, onde foi responsável pela produção artística por 16 anos e esteve nos bastidores dos primeiros shows de bandas como O Rappa, Cidade Negra e Natiruts.
O impacto na cena cultural de Niterói
Não é só a capital do Rio de Janeiro que é um marco na carreira de Peck, já que no final dos anos 90 ele retornou a Niterói, e foi um dos responsáveis por colocar um pedaço da cidade no mapa cultural do país. Isso se concretizou ainda mais em 2007, quando o Teatro Popular Oscar Niemeyer foi inaugurado em Niterói.
No ano seguinte, a PECK produziu o Rio Mix Festival com shows de Marcelo D2, O Rappa e Natiruts, reunindo 25 mil pessoas, o maior público registrado em um show no município até então. Depois disso, foram diversos shows e eventos na cidade assinados pela empresa de Peck.
“Guardo cada evento, cada artista e reações do público na memória e na alma. Tenho um baita orgulho de ter realizado tanto na minha cidade querida, de ter contribuído um pouco para a geração de emprego e renda através da cultura.” – Peck Mecenas.
O que faz um festival ser inesquecível?
A estratégia da PECK sempre foi criar um ambiente onde as pessoas se sentem bem do início ao fim. “Cada festival tem suas exigências e necessidades básicas para que o público tenha boas experiências”, afirma Peck. Para manter uma boa atmosfera em seus festivais, a PECK preza pelo conforto do público.
“O público que frequenta os festivais da PECK já está habituado a uma estrutura de banheiros de qualidade, já há alguns anos abolimos o uso de banheiros químicos, e também usamos um piso especial em toda a área da pista, para evitar formação de poças. Acredito que o público mais exigente hoje em dia é o nosso público.” – Peck Mecenas.

Além disso, cada um dos festivais que a produtora realiza tem uma identidade própria. O Festival de Inverno Rio aposta na diversidade musical, reunindo artistas de diferentes gêneros e gerações. Enquanto isso, o Clássicos do Brasil é uma viagem no tempo, entre passado e futuro, reunindo artistas que fizeram história e apostas da música brasileira. Já o 90’s Festival celebra a sonoridade da década de 1990 e 2000, resgatando um período icônico da música brasileira com um gostinho de nostalgia.
Os desafios e o futuro dos festivais
O mercado de festivais no Brasil enfrenta desafios como a alta do dólar, a concorrência por patrocínios e a necessidade de infraestrutura de qualidade. Para Peck, a chave está na organização e no planejamento financeiro.
“A captação de patrocínios é cada vez mais importante para o planejamento e operação de bons festivais. Ter essa organização, hoje, é fundamental, inclusive para dar segurança ao público de que o evento irá, de fato, acontecer.”
Anualmente, a PECK se compromete com seus três principais festivais que já estão no calendário da Marina da Glória e da cidade do Rio. Os planos futuros são mantê-los e expandi-los, inclusive, o Clássicos do Brasil desembarca em Recife pela primeira vez em 2025.
Além disso, o Festival de Inverno Rio já é consolidado na cidade e está indo para sua oitava edição. “Nosso sonho é celebrar, em breve, os 10, 20, 50 anos deste festival!”, destaca Peck. Com a trajetória que construiu até aqui, ele parece estar no caminho certo.





