O que faz um festival se tornar Patrimônio Cultural Imaterial?

Você já parou pra se perguntar o que é um patrimônio cultural imaterial? Pois a gente sim! E segundo nossas pesquisas, são patrimônios culturais que são transmitidos de geração em geração, mas que não tem uma forma física. Ao contrário dos patrimônios materiais que incluem prédios ou monumentos, os imateriais vivem nas práticas, saberes e expressões de um povo. Como por exemplo:

  • Tradições e expressões orais: contos, lendas e cantigas;
  • Espetáculos: como danças, música e teatro;
  • Práticas sociais, rituais e festas;
  • Conhecimentos e saberes ancestrais, como a medicina popular;
  • Técnicas artesanais, passadas entre gerações.

Por que preservar o patrimônio imaterial é essencial?

Preservar o patrimônio imaterial, como os festivais, vai muito além de manter uma tradição viva. É garantir que eles continuem a fazer parte da vida das próximas gerações, se adaptando ao presente sem perder sua essência. Essa proteção envolve:

  • Registrar memórias: documentar histórias, práticas e significados culturais;
  • Manter a tradição viva: incentivar que as comunidades continuem a praticar e compartilhar;
  • Conectar passado, presente e futuro: mostrar como a cultura evolui sem perder suas raízes. 

Como um festival vira patrimônio cultural imaterial?

  • Identificação e valorização: o festival deve ser reconhecido como relevante para a identidade cultural de uma comunidade. Isso inclui sua importância histórica, social e a transmissão de sua tradição entre gerações.
  • Documentação e pesquisa: após ser reconhecido como culturalmente relevante, o festival precisa de um registro detalhado. Isso inclui sua história, práticas, significados culturais, rituais e o papel da comunidade na sua realização e preservação.
  • Engajamento da comunidade: o reconhecimento só acontece se a própria comunidade envolvida valoriza e preserva a tradição. O festival precisa ser uma prática viva, com a população local participando ativamente e fortalecendo sua continuidade. 
  • Proposta de inscrição: a comunidade, grupos culturais ou o governo local enviam um pedido formal ao órgão responsável, como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no Brasil ou a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) internacionalmente. Essa proposta reúne documentos, vídeos, depoimentos e estudos sobre a importância do festival.
  • Avaliação e reconhecimento: uma comissão técnica analisa o material e verifica se o festival atende aos critérios, como relevância cultural, enraizamento comunitário e continuidade histórica. Caso aprovado, o festival recebe o título de Patrimônio Cultural Imaterial.

O festival foi considerado Patrimônio Cultural Imaterial, e agora?

Com o título, o festival passa a ser protegido, e o Estado, juntamente com a comunidade, pode desenvolver estratégias para garantir sua preservação ao longo do tempo. Isso pode incluir apoio financeiro, estratégias de ensino e conscientização sobre a importância da tradição, e medidas para garantir a continuidade do evento. Também pode envolver o fomento ao turismo responsável, que impulsiona a economia local, valorizando a comunidade sem perder a essência do festival.

Festival DoSol (Patrimônio Cultural Imaterial do RN)

O Festival DoSol, realizado em Natal (RN) desde 2005, foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio Grande do Norte pela Lei nº 12.075, sancionada em 7 de fevereiro de 2025 pela governadora Fátima Bezerra, após proposta da deputada estadual Isolda Dantas. 

Esse título reconhece o papel do festival na construção da identidade cultural potiguar. Com uma programação quase totalmente gratuita que vai de shows a oficinas e exposições no festival, o DoSol é também uma plataforma para novos artistas, fortalecendo a cena cultural do Nordeste.

Rock in Rio (Patrimônio Cultural Imaterial do RJ)

Em 2022, o Rock in Rio foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, reconhecendo seu impacto não só na música, mas também na cultura e no turismo do estado. 

Criado em 1985 por Roberto Medina, o Rock in Rio marcou a história ao colocar o Brasil na rota dos grandes shows internacionais. Ao longo das edições, o festival evoluiu para além da música, com iniciativas como o projeto socioambiental Amazonia Live e a promoção de debates sobre sustentabilidade. O reconhecimento como patrimônio garante que essa tradição seja preservada como um símbolo da cultura carioca e nacional.

O Festival Rec-Beat é um dos festivais brasileiros que são Patrimônio Cultural Imaterial.
O Festival Rec-Beat é um dos festivais brasileiros que são Patrimônio Cultural Imaterial. Foto: Ariel Martini/I Hate Flash.

Festival Rec-Beat (Patrimônio Cultural Imaterial do Recife)

Em 2023, o Festival Rec-Beat, um dos pilares do carnaval recifense, foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade do Recife por meio de uma lei municipal. O título celebra a importância do Rec-Beat como palco da diversidade musical, misturando ritmos tradicionais e contemporâneos, como manguebeat, frevo, hip hop, e música eletrônica.

Fundado em 1995, o festival é conhecido por seu palco às margens do Rio Capibaribe, gratuito e aberto ao público, proporcionando encontros culturais e revelando artistas independentes. 

Samba Recife (Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco)

O Samba Recife, festival que celebra o pagode e o samba, foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de Pernambuco em outubro de 2024. A decisão veio após a proposta do vereador Hélio Guabiraba que destacou a relevância do evento para o turismo e economia local.

Desde sua criação em 2004, o Samba Recife se tornou um dos maiores festivais de pagode do Nordeste, reunindo grandes nomes do gênero e milhares de fãs. O título de patrimônio reconhece o papel do evento na preservação e promoção do samba e do pagode, destacando sua importância como espaço de resistência cultural e inclusão social.

Festival MADA (Patrimônio Cultural Imaterial do RN)

O Festival MADA (Música Alimento da Alma) acontece desde 1998 em Natal, no Rio Grande do Norte. O festival foi eleito Patrimônio Cultural Imaterial do Rio Grande do Norte em 2025 via projeto de lei e consagra o evento que tem mais de 25 anos de história como uma referência na cena da música contemporânea potiguar e nacional.

Nos conta: para você, que festival deveria ganhar esse título?

Nathalia Pádua

Jornalista formada pela PUCRS, Nathalia é editora do Mapa dos Festivais desde 2022. Ela está à frente do conteúdo da plataforma, liderando a estratégia editorial, planejando pautas e conectando festivais, artistas e marcas através da informação. Há 10 anos vem trilhando uma trajetória dentro do mercado da música - seja pesquisando, como curadora musical ou escrevendo sobre o assunto. Quando não está mergulhada no universo dos festivais, você pode encontrar a Nah no meio de um bloco de Carnaval ou torcendo pelo Grêmio.

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