Maroon 5 mostra que Salvador tem público pra show internacional

Escalada para o Rock in Rio 2026, a banda Maroon 5 também trouxe uma turnê para o Brasil, que passou por três cidades: São José do Rio Preto (SP), São Paulo (SP) e Salvador (BA), onde realizou seu último show da turnê antes de seguir para o Rock in Rio. Os shows contaram com a abertura da banda mineira Lagum e o Mapa dos Festivais esteve presente na última apresentação, na capital baiana.

Salvador é uma cidade com muito potencial para receber shows internacionais. No entanto, por estar mais distante da região Sudeste, acaba ficando de fora de muitas rotas de turnês internacionais. O Maroon 5 esteve na capital baiana pela primeira vez em 2016, no Parque de Exposições. Dez anos depois, a banda retornou – agora à Arena Fonte Nova – e mostrou que Salvador tem público, sim, para receber grandes shows internacionais

Maroon 5 é odiado só nas redes sociais. Toda vez que a banda confirma uma data no Brasil, aparece alguém para reclamar. Presencialmente, porém, a história é outra: em Salvador, foram mais de 30 mil pessoas cantando junto alguns dos maiores hits da banda, como “This Love”, “She Will Be Loved”, “Sugar” e “Payphone”

Adam Levine, vocalista do Maroon 5, em show em Salvador. Foto: Laura Araújo / Mapa dos Festivais.

A verdade é que, se tem uma coisa que o Maroon 5 sabe fazer, é hit. Principalmente entre os anos 2000 e 2010, a banda emplacou músicas que atravessaram gerações e continuam muito presentes no imaginário do público. E isso ficou evidente durante o show. 

Apesar de ter lançado o disco “Love Is Like” em 2025, nenhuma música do álbum entrou no setlist dos shows pelo Brasil. Talvez a banda tenha preferido não arriscar e apostar no que já sabe que funciona. O resultado foi uma apresentação em que o público cantou junto praticamente o tempo inteiro. 

Uma coisa que me chamou muita atenção foi a diversidade de público no show. Tinham muitas crianças, muitos adolescentes, adultos e idosos. Maroon 5 é atemporal, e Adam Levine sabe fazer um bom show! Pude comprovar isso ao vivo pela primeira vez na apresentação em Salvador. 

E o Maroon 5 está longe de ser o único exemplo recente de que existe público para artistas internacionais na cidade. O AFROPUNK Brasil tem sido um dos principais responsáveis por colocar Salvador na rota de grandes nomes da música internacional. Por meio do festival, a cidade já recebeu artistas como Erykah Badu e TEMS. E, neste ano, serão mais quatro nomes internacionais no line-up: Jorja Smith, Kehlani, FLO e Kelela

Erykah Badu em Salvador no AFROPUNK Brasil 2024.

Em abril deste ano, a capital baiana também recebeu o show do Guns N’ Roses, reunindo cerca de 40 mil pessoas na Arena Fonte Nova. E existe um detalhe que, para mim, torna esses números ainda mais interessantes: tanto o show do Guns quanto o do Maroon 5 aconteceram no meio da semana, respectivamente em uma quarta e uma quinta-feira, e ainda assim conseguiram reunir um público significativo. 

Fico pensando no potencial de um evento desse porte acontecendo em um fim de semana, quando existe ainda mais possibilidade de receber pessoas de outras cidades e transformar o show em uma experiência de turismo musical. Se duas bandas internacionais conseguem reunir dezenas de milhares de pessoas em plena semana, o que mais Salvador poderia receber? 

Como soteropolitana, torço para que seja cada vez mais comum ver Salvador na rota de shows internacionais. A cidade precisa respirar mais música. E não, a gente não escuta só arrocha, sertanejo e axé — escutamos também, mas não só isso. 

Agora, se o público está fazendo a sua parte, a estrutura também precisa acompanhar. 

Esse é um dos meus principais pontos críticos em relação ao show: a estrutura poderia estar melhor. Em alguns momentos, a voz de Adam Levine estava mais baixa e o som não estava 100%. E existe ainda o meu top 1 terror de qualquer show em Salvador: a volta para casa.

O trânsito fica caótico e, apesar de ser possível utilizar o metrô, o acesso nem sempre é dos mais fáceis. A estação Campo da Pólvora, que é a mais próxima da Arena Fonte Nova, ainda fica distante do estádio, e fazer esse trajeto depois de um show, com a cidade cheia e já tarde da noite, acaba gerando preocupação com a segurança. 

Ainda assim, o show do Maroon 5 foi mais um exemplo de que Salvador tem público para receber grandes shows internacionais. E quanto mais eventos desse porte vierem para a cidade, mais fica evidente a necessidade (e oportunidade) de melhorar estrutura, mobilidade e transporte.

No fim das contas, talvez seja justamente assim que uma cidade se torna uma rota cada vez mais interessante para as grandes turnês: o público aparece, ocupa os espaços e mostra que existe demanda. Agora, falta fazer com que Salvador esteja cada vez mais preparada para recebê-los.

Laura Araújo

Jornalista musical, soteropolitana e apaixonada por escrever sobre cultura. Sempre de fones ouvindo música ou bons podcasts, gosto de traduzir cultura, música, shows e festivais em textos. No Mapa dos Festivais, encontro o equilíbrio perfeito entre jornalismo, criatividade e a paixão por explorar tudo o que movimenta a cena musical brasileira.

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