É sempre uma alegria ver festivais que fogem do óbvio nascendo em Salvador. E o que seria esse óbvio? Pagodão Baiano, Arrocha, Sertanejo, Samba e Axé. Basta ver a lista com as 50 músicas mais tocadas divulgada pelo Pida. São os gêneros mais populares na capital baiana, ou seja, é comum que a maioria dos eventos e festivais sejam voltados para esses ritmos.
Acontece que existe público pro MPB, rock, pop, alternativo e até eletrônica. Trabalhando com festivais, vejo nomes como Jota.pê, Larissa Luz, Tássia Reis e Chico César em diversos festivais pelo sudeste, e são poucos os festivais em Salvador que poderiam trazer essa galera.
Em janeiro, foi o Festival Giro Conecta que reuniu toda essa galera em quatro dias de evento. Foi sua primeira edição e aconteceu entre os dias 15 e 18, no pátio do Palácio da Aclamação, futura instalação do Centro Cultural Branco do Brasil (CCBB) em Salvador. O objetivo do festival era reunir a música da América Latina e África em um só lugar.
O nome por trás do evento é Joana Giron, que criou a plataforma Giro Conecta como uma spin-off da empresa baiana Giro Planejamento Cultural. Não é de hoje que Joana trabalha com artistas como Mayra Andrade, que estava no line-up do festival e fez o primeiro show em Salvador a partir da Giro Conecta.
Encontros mais que especiais no festival
Os quatro dias de Giro Conecta foram marcados por encontros únicos. A quinta-feira (15) reuniu o baiano e criador do black semba, Magary Lord com um dos nomes mais expressivos do semba e da kizomba em Angola, Yuri da Cunha.
Na sexta-feira (16) quem subiu ao palco foi Jota.pê, um dos principais nomes da Nova MPB e ganhador do Grammy Latino. Ele convidou a cabo-verdiana Mayra Andrade para cantarem juntos músicas dela e dele.

O sábado (17) foi potente! Reuniu o pagotrap do baiano RDD, com as vozes potentes da baiana Larissa Luz e da paulista Tássia Reis, convidando a colombiana Goyo com sua voz icônica.
O domingo (18), encerrou o festival em grandíssimo estilo com o mestre paraibano Chico César e a percussão de Aguidavi do Jejê se encontrando com o mestre cabo-verdiano Mário Lúcio. Sentiu o peso desse line-up aí?
Minhas impressões do Festival Giro Conecta
Fui ao festival na sexta-feira, dia de Jota.pê com Mayra Andrade e não me surpreendi com o ótimo show de Jota.pê. A banda é boa demais, a presença de palco do artista é inegável, a voz dele ao vivo é espetacular e juntando tudo isso, não tem como melhorar, né?
Resposta errada, tem sim: Mayra Andrade deu um show com seu vozeirão e músicas que não deixou ninguém parado. Não a conhecia e foi um prazer conhecê-lá no palco. Já vai migrar pro meu Spotify!
E não foi só o show que funcionou, a produção do festival tá de parabéns! O espaço acolheu bem o público e materializou bem a mensagem do Giro Conecta: a conexão entre América Latina e África. Tinha feirinha com roupas e todos os estandes de comida eram focados na culinária africana.
Mas o que mais me chamou atenção foram as frutas para alimentar quem passasse pelo estande, que dizia “por uma ética global de partilhar”. Tinha uva, maçã, banana, goiaba e outras frutas para quem quisesse. Achei diferente, único e muito legal! Além de, claro, ter ponto de hidratação e vários espaços de descanso. 10/10 nesse sentido.

Não conferi os valores na praça de alimentação, mas se você fez isso, pode avaliar o festival no nosso site. Basta clicar aqui e dar estrelas pra tudo o que citei (e mais!).
Para essa primeira edição e único dia que pude ir, não tenho reclamações. Aliás, tenho uma: a falta de sala de imprensa. Apesar de não ter atrapalhado nada, ajuda os veículos a serem mais ágeis na preparação e cobertura do festival.
Por fim, desejo vida longa ao Festival Giro Conecta! Por tudo o que citei, e porque um pouco mais de cultura nunca é demais, o Giro Conecta é um grande acerto no calendário de eventos de Salvador. E que mais eventos fora da obviedade soteropolitana apareçam!






