Festival Bananada retorna e reafirma a força dos festivais independentes no Brasil

por Anderson Foca, do Festival DoSol

O impacto da volta do Festival Bananada não se define pelo tamanho físico que o festival tem. Por trás de um drone mostrando o público e o super palco montado no Oscar Neimayer há outra projeção ainda maior que o festival deixa de rastro: o impacto real da atividade dentro da cultura de Goiânia e do Brasil.

Bananada resumiu com maestria parte importante do que está acontecendo na música independente do Brasil. Deu até vontade de usar o termo “música independente” de novo. Fruto de um olhar certeiro na curadoria e da ocupação da cidade, entregando diferentes palcos e condições para que o maior número possível de shows acontecessem.

Pra além do esmero artístico do festival, ainda tem dois fatores que ajudam a aumentar ainda mais o resultado de um festival como esse: a enorme memória afetiva criada nos festivais da cidade (incluindo o relevante Goiânia Noise Festival) e a distância da cidade pros grandes centros, possibilitando a vinda de muitos agentes culturais até a capital goiana.

Pra fechar combo de sucesso cultural que soprou no centro-oeste nesse final de semana ainda se perpetua através do Bananada um ideia coesa de coletividade, chamando parceiros pra perto como Mídia Ninja e Atac.

Mostra de música que se preocupa primeiro com a música deveria ser o óbvio, mas num país que reveste como ninguém entretenimento como se fosse cultura, o Bananada mostra que pode fazer tudo como quem não quer nada e entregar diversão e bens culturais dentro da mesma panela.

Amei tudo. Saí endofinado e querendo mais cultura. O que mais eu posso querer de um festival?

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