O “artista convida artista” virou fenômeno nos festivais de música. Por um lado, o público tem a chance de ver algo único, uma apresentação do tipo “você tinha que estar lá”. Já os artistas reforçam laços, fortalecem suas cenas e atingem novos ouvintes.
Por isso, separamos algumas das colaborações mais legais que tivemos em 2025 (até agora)!
Lauryn Hill convida YG Marley e Zion Marley
(The Town, setembro de 2025)
Ms. Lauryn Hill é o tipo de artista que ainda em vida atingiu o status de lenda. Uma das maiores vozes dos anos 90, é dona de clássicos como “Doo Wop (That Thing)”, faixa do seu único e premiado álbum de estúdio, “The Miseducation of Lauryn Hill”, e “Killing Me Softly”, de quando cantava no Fugees.
Lauryn, que já é conhecida por fazer de cada show uma apresentação única, dividiu o palco com os filhos no The Town. YG Marley, dentre outras músicas, cantou seu hit “Praise Jah in The Moonlight”. Já Zion Marley protagonizou um momento especial: cantou ao lado da mãe “To Zion”, faixa composta para ele durante a gravidez de Lauryn.
Orquestra Sinfônica Municipal de Santos convida Alice Caymmi e Catto
(Santos Jazz Festival, julho de 2025)
A abertura da edição 2025 do Santos Jazz Festival prestou uma homenagem a Gal Costa, que completaria 80 anos em setembro, e a Caetano Veloso. Para compor o tributo, a orquestra chamou Alice Caymmi, representante da família de gigantes da música brasileira, e que tem relação com Caetano — a cantora ganhou o Prêmio Multishow na categoria Versão do Ano com a música “Homem”, em 2014.
Já Catto é dona de uma obra extensa, com sete álbuns de estúdio, e de apresentações intensas e marcantes — algumas destas com nomes como Maria Bethânia, Marina Lima e Zélia Duncan. A junção das duas tornou ainda mais especial as releituras de Caetano e Gal, que tiveram arranjos preparados especialmente para o formato sinfônico.
Nando Reis e Chico Chico
(Coala Festival, setembro de 2025)
A parceria entre Nando Reis e Cássia Eller foi das mais frutíferas na amizade e na arte, sendo Cássia a artista que mais gravou composições de Nando. Duas décadas após o falecimento da intérprete, o encontro continua rendendo frutos — agora com Chico Chico, filho de Cássia. No Coala, a dupla fez sua primeira apresentação junta, após três anos de tentativa do festival em convidá-los. A setlist não foi exatamente um tributo a Cássia, mas foi cheia dela, em significado e em energia.
Metá Metá convida Jards Macalé
(Festival Saravá, janeiro de 2025)
Esse foi o primeiro encontro de uma fórmula que os artistas repetiram ainda em 2025, em outra apresentação.
Metá Metá por si só já é gigante: o trio é composto por Juçara Marçal, Thiago França e Kiko Dinucci. Além disso, as influências sonoras que a banda incorpora e sua expressividade são um destaque. No show, o trio junta isso com a modernidade intrínseca de Jards Macalé, músico de vanguarda com uma obra longeva e que continua atraindo novas gerações. O resultado é um encontro de titãs.
Melly convida Sued Nunes
(João Rock, junho de 2025)
Melly é iniciante quando se trata de álbuns de estúdio, tendo apenas o “Amaríssima”, de 2024, em sua carreira. Nos palcos, a artista se comporta como performer completa.
No primeiro dia de João Rock, a baiana sustentou a abertura do palco Aquarela e convidou Sued Nunes, indicada ao Grammy Latino 2025 na categoria Artista Revelação, para compor ainda mais a qualidade de seu show. Acertos.
Dobradinha: Ney Matogrosso convida Marisa Monte & Dora Morelenbaum convida Jadsa
(Doce Maravilha, setembro de 2025)
O Doce Maravilha entregou bons encontros para quem gosta dos grandes nomes da música brasileira e também dos novos artistas. De um lado, o reencontro de Marisa e Ney, que se apresentaram juntos pela última vez há dois anos. No show, outra novidade: Ney inclui na setlist pela primeira vez em décadas “O vira”, sucesso de Secos e Molhados.
Dora Morelenbaum e Jadsa representaram as vozes mais novas, mas não ficaram para trás em qualidade. Ambas indicadas ao Grammy, subiram ao palco juntas exibindo potência criativa e colaborativa, e a força e sensibilidade de suas músicas.
No fim das contas, é ver a música sendo compartilhada e continuando viva que faz o “artista convida artista” ser um fenômeno tão gostoso de acompanhar 🙂 Qual desses foi o seu favorito?
Esse texto foi uma colaboração do Mapa dos Festivais com:
Luiza Silva
É comunicadora de formação e produtora desde que descobriu que dava pra trabalhar com shows. Além disso, ouve e pesquisa música o tempo todo, e hoje transforma referências em conteúdo. Nascida e residente de Aracaju, cultiva o olhar atento às cenas e narrativas que surgem fora do eixo.




