AFROPUNK Experience Belém: Um encontro da cultura afrobrasileira 

Festival de música itinerante do Afropunk Brasil chega a Belém

“Uma mistura deliciosa entre Norte e Nordeste” foi o pontapé inicial para a realização da primeira edição do Afropunk Experience, versão itinerante do já conhecido festival que acontece em Salvador (BA) desde 2021. Fugindo do eixo sul-sudeste, a primeira parte da turnê aconteceu no último final de semana em Belém, uma das capitais com maior população negra no país.

“Esta é a primeira edição de um evento da Plataforma AFROPUNK fora de Salvador, praça de origem, o que já é muito especial. Escolher fazer esta edição em Belém tem um significado especial por ser uma praça com histórico afetivo para o time. (…) Com objetivo de mostrar os mais diversos Brasis em todas as suas frentes de atuação, e ter a mistura da cultura de Belém.”, explicou Haloá Sousa, executiva de negócios do IDW.

A imersão na cultura preta permitiu uma experiência, de fato, enriquecedora ao público que contou com mais de 5 mil pessoas. Além do line up, do dendê ao açaí, tendo nomes como Dona Onete, Rock doido do Psica, Bruna BG, Black Alien, Olodum e Mega Principe Negro. Estivemos presentes no festival e queremos te contar um pouco mais como foi a nossa experiência por lá, vem com a gente! 

Um festival dedicado a cultura preta 

A noite foi uma imersão afro-futurista em que Salvador e Belém se tornaram o mesmo território. O público pôde aproveitar desde os brindes que foram de leques a penteados até a praça de alimentação que contou com o clássico acarajé. 

Mas e os artistas? Teve rap de protesto, afrobeats e até mesmo brega. A versatilidade da rapper Bruna BG, por exemplo, foi contagiante. Ela nos contou um pouco como foi a experiência de ocupar os palcos do Afropunk.

“Nós somos um estado em que a maioria da população é negra. Então, eu acho que é preciso ter um festival que represente isso (…) Eu queria falar de representatividade, eu queria falar de Amazônia, eu queria falar de amor. E eu acho que eu consegui completar tudo o que eu queria fazer e entregar o melhor que eu pude no momento. Estou muito feliz de estar aqui nesse festival e ter esse espaço de poder mostrar meu trabalho para as pessoas.” – Bruna BG.

O tradicional Olodum, com seus 45 anos de história, e Black Alien, um dos maiores nomes do rap nacional, completaram o time de peso. A noite ainda contou com o tecnobrega do Rock Doido e a aparelhagem Mega Príncipe Negro que fechou a noite com a aparelhagem que trouxe a energia das ruas de Belém para o palco.

Um dos pontos altos do festival foi ver de perto o batuque do Olodum, evocando a ancestralidade através da música e teve seu repertório repleto de clássicos. A banda composta pelos vocalistas Lazaro Araújo, Lucas Andrade e Narcizinho contou ao Mapa como é voltar a Belém:

“A sensação do público daqui é realmente muito parecida com a de Salvador. A galera se joga, a galera curte bastante. Essa sensação térmica é parecida também. A culinária, a gente circula pelos ambientes do rio, do mar. E para a gente é sempre importante estar aqui, trazer um pouco da nossa cultura para cá, dos nossos tambores, e entender um pouco porque os tambores são os mesmos.” – Olodum

A curadoria do primeiro Afropunk Experience Belém foi uma colaboração entre a equipe do Afropunk (BA) e os idealizadores do Psica Festival (PA). Juntos, eles construíram um line up que reúne artistas de diferentes gerações, mesclando a experiência dos dois festivais.  

E não para por aí! O Afropunk Brasil (BA) irá acontecer nos dias 9 e 10 de novembro, como participação de Erykah Baduh (EUA), Lianne La Havas (Reino Unido), Duquesa, Ebony emuito mais! Ah e o próximo Afropunk Experience, já tem data marcada para 14 de dezembro em São Paulo. Confira no Mapa dos Festivais.

E aí, tem mais um festival no Norte e Nordeste que está ansioso(a) ir?

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Laura Araújo

Jornalista musical, soteropolitana e apaixonada por escrever sobre cultura. Sempre de fones ouvindo música ou bons podcasts, gosto de traduzir cultura, música, shows e festivais em textos. No Mapa dos Festivais, encontro o equilíbrio perfeito entre jornalismo, criatividade e a paixão por explorar tudo o que movimenta a cena musical brasileira.

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